Os efeitos do bullying na escola: dores que permanecem uma vida inteira

Psicologia |

Texto de Cláudia Vidigal, psicóloga em Pinheiros (SP) e parceira do Nossos Doutores
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Tem sido muito comum receber em meu consultório jovens que foram alvos de bullying na escola no passado e que resolveram procurar ajuda psicológica somente anos depois, em razão de estarem ainda convivendo com os seus efeitos.

O termo “bullying” decorre da palavra “bully” que, em inglês, significa “valentão”. Refere-se a ações físicas e sociais negativas, que são cometidas intencionalmente, repetidamente ao longo do tempo, por uma ou mais pessoas contra um indivíduo que não pode se defender facilmente (Olweus, 1991).

O bullying na escola pode gerar prejuízos momentâneos e tardios

Os efeitos do bullying na escola acarretam danos físicos e psicológicos às vítimas, de forma imediata ou tardia, e podem envolver: medos, solidão, rebaixamento da autoestima, sintomas de ansiedade, sintomas de depressão, ideações suicidas ou tentativas de suicídio, dores de cabeça, dores de estômago, enurese (urinar na cama), tonturas, problemas de sono, dores musculares e dificuldades de relacionamento interpessoal.

Em minha prática clínica, tenho constatado que, conforme a própria definição, os jovens que se tornaram vulneráveis ao bullying na escola apresentam dificuldades de defesa, em decorrência de uma fragilidade importante em falar do que sentem, prejudicando, consequentemente, a busca por ajuda.

São jovens que, por diversas razões, apresentam poucos recursos de resiliência e de enfrentamento positivos, e acabam se utilizando de mecanismos de defesas nocivos, que contribuem para um sofrimento intenso, extremamente solitário e silencioso.

O acompanhamento psicológico pode ser extremamente valioso para ajudar estes jovens a lidar com a situação, desenvolvendo mecanismos emocionais que, em algum momento, o levem a sair dela.

“Jovens que sofrem bullying, por diversas razões, apresentam poucos recursos de resiliência e de enfrentamento positivos e acabam se utilizando de mecanismos de defesas nocivos, que contribuem para um sofrimento intenso, extremamente solitário e silencioso.

O acompanhamento psicológico pode ser extremamente valioso para ajudar estes jovens a lidar com a situação, desenvolvendo mecanismos emocionais que, em algum momento, o levem a sair dela.”

Cláudia Vidigal

Psicóloga - CRP 06/98.556

A relação vítima/agressor e agressor/vítima

 

 

Sabe-se que os agressores costumam vivenciar situações de violência e de intolerância no próprio ambiente familiar e que as vítimas de bullying na escola podem vir a se tornar agressores no futuro – uma espécie de “saída” para não sofrerem mais.

Daí a importância de pais, responsáveis, familiares, educadores e de outros profissionais, que participem diariamente da vida de uma criança e/ou adolescente, ficarem atentos aos sinais de bullying e pensarem em estratégias que possam promover fatores protetores e de resiliência, bem como ações de intervenção e de prevenção ao bullying.

No Brasil existe uma lei antibullying desde 2016, que prevê que as instituições de ensino têm o dever de promover campanhas de conscientização e desenvolver planos de ações contra o bullying.

Para saber mais a respeito, acesse aqui a cartilha desenvolvida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)

 

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Cláudia Vidigal - Psicóloga

Cláudia Vidigal
São Paulo, SP
CRP 06/98.566

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