Psicoterapia Infantil: 8 sinais de que seu filho precisa de ajuda

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Não existem dúvidas de que a psicoterapia infantil pode ser de grande ajuda no desenvolvimento, no autoconhecimento, na percepção e resolução de eventuais medos, receios, insatisfações e angústias das crianças. Nas sessões de psicoterapia o momento é só delas: é um espaço em que a criança poderá favorecer seu desenvolvimento psíquico, bem como aprender a lidar com os desafios, frustrações e até mesmo dores e mágoas, e transformá-las em algo melhor.

A experiência ganha na psicoterapia é da criança, feita para ela, porém, evidentemente, toda a família se beneficia do processo terapêutico.

Num mundo de pouca entrega afetiva, alguns ambientes familiares tornaram-se mais permissivos, e isto tem afetado diretamente as crianças, pois seus pais, não querendo frustrá-los, preservam-nas dentro de uma redoma de proteção, que acaba tendo efeito contrário ao desejado: tornam-se cada vez mais incapazes de lidar com as frustrações. O preço provavelmente vai ser pago mais tarde, pois crianças sem parâmetros e sem limites têm dificuldade em lidar com o mundo que certamente lhes dirá alguns “nãos”.

A psicoterapia infantil é um caminho para ajudar a criança a lidar com essas questões e torná-la mais capaz de lidar com o processo de amadurecimento pelo qual, inevitavelmente, ela irá passar.

“É por meio da abordagem lúdica que a criança mais facilmente projeta sua forma de ser, apresenta seus medos, conflitos, sentimentos e comportamentos, e a partir deles, enfrenta e supera suas dificuldades, inclusive as que ela não se sente “autorizada” a falar e com os quais, muitas vezes, nem sabe como lidar”

Ana Paula Sant Anna Mendes

Psicóloga - CRP 06/115.610

Como funciona a psicoterapia infantil?

Ana Paula Sant Anna Mendes, psicóloga parceira do portal Nossos Doutores, explica que a primeira coisa a ser feita é o agendamento de uma conversa franca com os pais, ou responsáveis. Nela o psicoterapeuta reúne as principais informações sobre a vida de seu futuro paciente, e conhece um pouco a dinâmica da família em que a criança está inserida. “Em seguida inicia-se um processo em que o objetivo inicial é estabelecer um vínculo de confiança entre o profissional e o paciente. A criança deve se sentir à vontade, deve ser acolhida e ouvida. O espaço e o momento serão dela e para ela”, continua a psicóloga.

Para que os conflitos de ordem emocional de uma criança possam ser identificados e tratados, os psicoterapeutas utilizam várias abordagens lúdicas, que envolvem brincadeiras, desenhos, histórias, construções, entre outros, e que variam, evidentemente, de acordo com a idade e fase do paciente.

A psicóloga destaca “que é por meio dessas brincadeiras que a criança mais facilmente projeta sua forma de ser, apresenta seus medos, conflitos, sentimentos e comportamentos, e a partir deles, enfrenta e supera seus problemas. Por exemplo, as artes feitas por uma criança comunicam e denunciam muitas de suas dificuldades, inclusive as que ela não se sente “autorizada” a falar e com as quais, muitas vezes, nem sabe como lidar”, destaca Ana Paula Sant Anna Mendes.

Os pais não assistem as sessões, mas a participação deles no processo terapêutico como um todo é essencial, pois somente assim terão conhecimento sobre as adversidades do filho. 

A Ansiedade dos Pais na Psicoterapia Infantil

De acordo com Sueli dos Santos, psicóloga parceira do portal Nossos Doutores, aponta que “a psicoterapia infantil envolve não apenas mundo das fantasias e realidades diretamente ligadas à criança, mas também uma avaliação dos “segredos”, hábitos e nas rotinas das famílias. Essa olhar sobre a vida familiar como um tudo algumas vezes gera ansiedade e  inseguranças por parte das crianças. Mas é curioso perceber que este desconforto também afeta alguns pais, ao verem que o olhar da psicoterapia infantil se estende sobre questões familiares mais amplas, já que as dificuldades que a criança apresenta podem ter origem justamente nestas questões”.

Ela destaca também que deixar o filho aos cuidados de uma “pessoa estranha”, que trabalhará questões obscuras e despercebidas muitas vezes pelos próprios pais, é algo, por si só, amedrontador.

É comum os pais não aceitarem a ideia de que seu filho, em algum momento, possa precisar de um acompanhamento psicológico, assim como muitos não aceitam a própria figura do psicólogo, que ainda sofre, embora estejamos em pleno século XXI, o estigma de ser um profissional que cuida de pessoas com problemas mentais. Alguns pais precisam urgentemente enfrentar a barreira do preconceito e da vergonha que as impedem de procurar um profissional que, com sua experiência, pode ser de grande ajuda para a criança.

Considerando seus próprios critérios, os pais devem escolher com muita atenção o profissional que atenderá seu filho e, a partir daí, depositar a confiar nele para que o trabalho possa ser desenvolvido. Psicólogos são profissionais que estudaram muito as técnicas científicas e conhecem diferentes metodologias para ajudar seus filhos. A ética profissional é muito clara na preservarção de informações sigilosas e pessoais, segredos familiares, e “coisas que nem os próprios pais sabem”, que eventualmente sejam trazidas à tona durante as sessões. O objetivo do psicólogo não é fazer juízo de valor da criança ou a família, mas ajudá-la a viver de forma mais saudável e plena.

“A psicoterapia infantil envolve não apenas mundo das fantasias e realidades diretamente ligadas à criança, mas também uma avaliação da dinâmica familiar como um todo. Isto gera desconforto em alguns pais, ao verem que o olhar da psicoterapia se estende sobre questões familiares mais amplas, já que as dificuldades que a criança apresenta podem ter origem justamente nestas questões.

Sueli dos Santos

Psicóloga - CRP 06/58.475

Paciência e Parceria dos Pais

A psicoterapia infantil pressupõe uma dose de esforço de cada uma das partes envolvidas, inclusive dos pais. E a espera pelo término de cada sessão não deve ser algo perturbador, nem ameaçador. O paciente é uma criança que foi acolhida em sua “falta”, seja ela qual for, e está caminhando no sentido de ter uma vida cada vez melhor.

Segundo a psicóloga Sueli dos Santos, “alguma ansiedade nos pais é natural, visto que eles esperam por respostas e resoluções de problemas relacionados ao comportamento, aprendizagem ou dificuldades de relacionamento, da pessoa mais importante do mundo: seu filho. É por isso que muitas vezes o profissional reserva uma ou mais sessões para os pais, com o intuito de discutir sua inseguranças, comportamento e angústias.”

Ouvir e responder dúvidas e possíveis fantasias relacionadas as sessões psicoterapêuticas são formas de também atender às queixas relacionadas às crianças, pois o alívio das tensões dos pais minimiza a pressão sentida pelos filhos e auxiliará no desenvolvimento do trabalho terapêutico.

“Os pais devem ser aliados ao tratamento, e não o contrário”, conclui a psicóloga.

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Supercrianças: quando mais é menos

“É claro que vivemos num mundo cada vez mais competitivo, mas, especialmente com relação a crianças, tudo deve ter o seu tempo”, explica a psicóloga Ana Paula Sant Anna Mendes. Pais cada vez mais ansiosos querem, a todo custo, proporcionar aos seus filhos a maior quantidade possível de atividades que os preparem para um futuro promissor, tornando-os altamente aptos para atuar em diferentes segmentos. Alguns pais temem que, sem essas habilidades, seus filhos possam “ficar para trás”.

A expectativa deles, para que seus filhos sejam bem-sucedidos na vida, é imensa. Por isso tornam o ritmo da rotina das crianças desgastante e exagerado, além de lidarem muito mal com o fracasso de alguma parte de seus planos, por exemplo, quando a criança não realiza alguma tarefa exatamente da forma como planejaram.

A psicóloga destaca que “as crianças sentem esta sobrecarga e sofrem. São muitas as expectativas e as cobranças. Ficam com a sensação de dívida para com os pais, e podem entrar num processo de exaustão, tristeza, apatia e até depressão. Os pais, com a melhor das intenções, querem que a criança sinta-se segura e preparada; mas, na prática, a sobrecarga gera nelas insegurança; uma sensação de que são insuficientes e de que não “dão conta” daquilo que o mundo espera delas”.

Algumas inclusive, desenvolvem pouco o senso de iniciativa e autonomia, já que nunca precisam tê-la. O mesmo ocorre com a espontaneidade. Essas crianças parecem estar sempre à espera de alguma orientação sobre o que fazer.

 

Crianças precisam de tempo livre!

Nossas crianças andam cada vez mais exigidas e cansadas. Criança precisa ter tempo livre, precisa brincar, viver a infância, e, acredite ou não, também precisa ter um tempo para não fazer nada. O “não fazer nada” é o momento em que ela faz de conta, imagina, inventa, entra em contato consigo mesma, se descobre no espelho, pensa, cria.

Este tempo de ócio deve ser visto como uma oportunidade, não como desperdício. Brincar é uma maneira lúdica de colocar a criança em contato com regras, limites, convivência em grupo, respeito às diferenças, e principalmente em contato com o que é ganhar e o que é perder. Este tempo dedicado a elas mesmas é precioso e também as prepara para a vida no futuro, fornecendo ferramentas internas muito valiosas.

O ócio em demasia, sim, é um problema, e pode gerar crianças que se tornaram adultos acomodados, que esperam que o mundo lhes dê o que querem. “Mas, ter algum tempo livre não é, em absoluto, tempo perdido. Não há porque exigir das crianças a mesma quantidade de carga de responsabilidades que dos adultos”, afirma Ana Paula Sant Anna Mendes.

 

8 sinais de que seu filho pode estar precisando de um psicólogo

As crianças, diferentemente dos adultos, nem sempre conseguem expressar verbalmente uma dor emocional. Mas há sinais que podem ajudar a detectar que algo não vai bem emocionalmente e que a criança necessita da ajuda de um profissional.

Elas podem ter alterações em seu comportamento e até mesmo sintomas físicos. A psicoterapia infantil tem o objetivo de detectar e trabalhar estas questões – mesmo que elas sejam inconscientes para a criança.

1. Quando um problema emocional vira físico

Seu filho não se alimenta direito, faz xixi na cama constantemente (após os 5 ou 6 anos), tem problemas intestinais sem origem física, tem dificuldade para dormir, etc.

2. Timidez excessiva

Seu filho tem dificuldade para fazer amigos e precisa fazer um grande esforço para se relacionar. Fora os pais, até mesmo os familiares são desafios para ele. Se relaciona muito pouco com colegas da mesma idade, vizinhos, etc.

3. Distúrbios alimentares

Seu filho come compulsivamente, a maioria das vezes sem fome, fora de hora e repetidas vezes. Fica bravo quando advertido que este não é um hábito saudável. O mesmo ocorre quando seu filho se recusa a se alimentar, quando não come quase nada, quando provoca vômito ou quando tem uma visão distorcida de sua imagem, achando que sempre está acima do peso.

4. Agressividade, Rispidez e Intolerância

Devemos ter muita atenção com crianças que não lidam bem com o “não” e que geram situações de grande desconforto quando não são prontamente atendidas. Nem sempre este é um sinal de distúrbio psicológico; pode ser apenas falta de educação e limites. Mas, quando as reações aos “nãos” são muito agressivas, chegando até mesmo a agressões físicas, quando as palavras do filho são ríspidas com frequência ou quando ele se mostra demasiadamente intolerante, tem-se aí um sinal que pode indicar distúrbios como o TOD (Transtorno Opositivo Desafiador).

5. Dificuldade de aprendizagem

Nem todas as crianças aprendem na mesma velocidade, mas existe alguns indícios de que seu filho possa estar tendo dificuldade de aprendizagem, que pode inclusive gerar desinteresse dele pelo aprendizado de uma forma geral. Fique atento se perceber que ele tem muita dificuldade com as atividades que exigem raciocínios lógicos, ou no tempo que ele dispende para assimilar determinado conteúdo.

6. Agitação e falta de concentração

Quando a criança é muito agitada, faz-se necessário um diagnóstico cuidadoso, que pode apontar, por exemplo, TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), que envolve agitação física ou mental, impulsividade e até esquecimentos. Por outro lado, o diagnóstico pode não apontar quando distúrbio deste tipo, e indicar que a criança pode estar querendo chamar a sua atenção ou estar disperso por tristeza, angústia e medos não relacionados à hiperatividade.

7. Manias ou Fobias

Se a criança apresenta manias, tiques ou fobias, rói unha, pisca muito os olhos, se tem contrações involuntárias rápidas e repetitivas de um grupo de músculos, come roupas e objetos, arranca fios de cabelo, provoca pequenos machucados, entre outros, pode ser necessária a avaliação de um profissional de psicologia.

8. Mudanças súbitas de humor 

Alterações de humor em crianças podem ser simples consequência da falta de sono, por exemplo, mas podem também ser o indício de que alguma coisa não vai bem. Se seu filho está constantemente irritado, pessimista, bravo, uma avaliação profissional poderá apontar se o quadro é de  insatisfação e infelicidade, ou se a criança pode ser, por exemplo, portadora de Distimia, um distúrbio do humor para o qual existe tratamento.

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Mudanças no filho, mudanças nos pais

Segundo Sueli dos Santos, “a maioria dos problemas e distúrbios emocionais resultam das interpretações do inconsciente, nem sempre da realidade prática, mas de como seu filho “enxerga” esta realidade. O importante é saber que crianças precisam de segurança para que registrem os sentimentos no seu subconsciente da forma saudável. Desta forma, evita-se assim a possível criação de padrões que, ainda que os protejam de dores emocionais, podem criar feridas em outros lugares ou as levem a suprir de maneira inadequada suas necessidades de amor e proteção, podendo usar recursos não construtivos para chamar a atenção dos pais, por exemplo.”

Os pais são importantes agentes de mudança no comportamento de seus filhos, que tendem a ser reflexo de sua criação e do ambiente onde crescem. Por isso é muito importante que os pais estejam abertos e preparados para receber orientações do psicólogo de seus filhos. Mudanças no comportamento dos pais quase sempre causam mudanças no comportamento dos filhos. “É importante ter em mente que a psicoterapia infantil pode gerar uma mudança na dinâmica familiar, não apenas na criança”, conclui a psicóloga.

Pais que permitem o acesso à psicoterapia infantil para seus filhos e que acolhem as orientações recebidas pelos psicólogos na sua grande maioria superam as questões que os levaram a pedir ajuda e passam a ter uma relação cada vez melhor e prazerosa com seus filhos.


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Conheça os profissionais que participaram deste artigo:

Conheça os profissionais que participaram deste artigo:

Sueli dos Santos - Psicóloga

Sueli dos Santos
Bela Vista, Belenzinho e Tatuapé , São Paulo, SP
CRP 06/44.852 – SP

Ana Paula Sant Anna Mendes - Psicóloga

Ana Paula Sant Anna Mendes
Interlagos, São Paulo, SP
CRP 06/115.610 – SP

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