Síndrome do Pânico. Será que é possível controlar as crises?

Medicina, Psicologia |

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De acordo com a OMS, o transtorno de pânico atinge de 2% a 4% da população mundial. Muito se fala em Síndrome do Pânico hoje em dia, mas as pessoas ainda ficam confusas com a percepção de seus sintomas, ou em como diferenciá-la de uma Crise de Ansiedade.

A Crise de Ansiedade envolve algum nível de desconforto (físico, inclusive), que gera agitação, taquicardia, tremores, entre outros sintomas. Mas a Síndrome de Pânico eleva este estado de desconforto a níveis muito altos, patológicos mesmo, gerando muito sofrimento à pessoa. Trata-se de um transtorno de ansiedade desproporcional ao contexto, e que gera ataques abruptos de medo intenso e grande desespero. A sensação de quem está tendo uma crise de pânico é semelhante à de quem está diante de algum perigo máximo, de alguma ameaça iminente grave, que gera um desconforto tão grande, que faz a pessoa sentir urgência em sair do lugar físico onde se encontra e até tenha convicção de que está sofrendo um infarto.

O coração dispara, a boca fica seca, a sensação de medo e o suor são muito intensos. Estas sensações que seriam aceitáveis e até esperadas se o indivíduo estivesse sendo assaltado, por exemplo, mas não quando está em casa, almoçando em um restaurante com a família ou em um aniversário de amigos. 30 segundos bastam para que a pessoa saia de um estado de bem-estar e passe a sentir que algo trágico irá acontecer, como a própria morte, por exemplo.

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Crise de Ansiedade ou Síndrome do Pânico?

Os sintomas de uma crise de ansiedade são bem diferentes dos sintomas da Síndrome do Pânico. Na crise de ansiedade existem períodos intensos ou prolongados de ansiedade que podem durar desde minutos até semanas. Os sintomas atrapalham a rotina da pessoa e desencorajam-no a ter uma vida social ou relacionamentos mais sérios.

Já a Síndrome do Pânico é mais que isso: é uma doença que decorre de um quadro de ansiedade  em nível exarcerbado, patológico e desproporcional ao contexto em que ocorre. É tão intenso e repetitivo, que prejudica consideravelmente as atividades cotidianas e a vida social de quem sofre com ela.

A sensação durante as crises é a de morte iminente, o que gera profundo pânico no indivíduo. O medo se agrava quando a pessoa percebe que a crise pode começar a qualquer momento e em qualquer lugar, no meio de uma multidão, num restaurante, no trânsito, metrô, elevador, em filas, etc. Sempre sem nenhum motivo aparente e quando menos se espera.

Taquicardia, formigamento, falta de ar, tremores e tontura são alguns dos sintomas que fazem com que a pessoa ache que vai perder os sentidos e morrer. E eles geralmente aparecem simultâneos, e em poucos minutos tomam conta da razão da pessoa.

Assim, a Síndrome do Pânico difere-se de uma crise de ansiedade principalmente por sua intensidade e pela imprevisibilidade de sua ocorrência.

Alguns números sobre a Crise de Pânico

A Síndrome de Pânico e suas crises geram grande dificuldade na vida das pessoas, especialmente mulheres, podendo afetá-las até mesmo durante o sono.

Pânicos entre os Brasileiros
Segundo a OMS, o Brasil é o líder mundial em transtornos de ansiedade – um dos possíveis precursores para que a pessoa desenvolva a Síndrome do Pânico. Estima-se que 4% dos brasileiros sofram com os transtornos do pânico.
Minutos de sofrimento
Uma crise de pânico geralmente atinge seu ponto máximo em 2 ou 3 minutos, e dura de 10 a 30 minutos, muito dificilmente ultrapassando este tempo, embora existam relatos de duração de até quase 60 minutos.
Mais comum entre elas
Assim como a Depressão, as Crises de Pânico são 3 vezes mais comuns em mulheres
Até durante o sono
Cerca de 40% das pessoas que Síndrome do Pânico podem ter as crises durante o sono, o que é ainda mais assustador, já que o cérebro envia sinais para o corpo fugir ou lutar, justo no momento em que deveriam se sentir mais relaxadas.
O primeiro episódio costumar ser na adolescência ou início da vida adulta
70% das pessoas acometidas pela primeira vez são mulheres na faixa dos 15 a 25 anos.

Como ajudar a pessoa que durante a crise de pânico?

O mais importante de tudo é manter-se calmo. Se a pessoa desejar sair do ambiente em que se encontra, ajude-a, procure locais calmos e pouco agitados. Fale pouco e baixo. Se a pessoa tem prescrição de medicamentos específicos para esta situação, ajude-a encontrá-los.

Há técnicas para lidar com os sintomas durante a crise?

É muito difícil que uma pessoa consiga superar a Síndrome do Pânico e as crises sem um tratamento especializado, que normalmente envolve psicoterapia e medicamentos.

Mas, além do tratamento propriamente dito, há técnicas que podem ajudar a tentar manter algum nível de auto-controle durante uma crise de pânico. Conheça algumas delas:

1. Lembrar que o ataque é passageiro.

2. Lembrar que a sensação de medo extremo e os sintomas físicos passam também.

3. Permanecer no lugar em que se encontra até que a crise passe. Pode ser bastante perigoso dirigir neste estado, ou mesmo andar sem rumo.

4. Respirar em padrão, contando 3 tempos na inspiração e 3 tempos na expiração. Isso ajuda a acalmar e a diminuir a sensação de ansiedade.

5. Tentar assumir controle racional sobre o medo, concentrando-se na ideia de que não há um risco real, apenas uma sensação.

6. Enfrentar os sintomas e lembrar que eles são passageiros e que nada grave, de fato, irá acontecer.

7. Observar o tempo passando, com ajuda de um relógio, e reforçar que a crise deve terminar em breve.

Ataque cardíaco ou crise de pânico?

Durante uma crise de pânico há grande descarga de adrenalina e noradrenalina no organismo, o que faz com que a pessoa tenha uma resposta corporal intensa ao pânico, fazendo crescer a certeza de que se está tendo um ataque cardíaco. As reações desproporcionais causam também um aumento da pressão arterial, gerando um mal-estar físico e a sensação de morte iminente.

Dores no peito, pressão na cabeça, transpiração excessiva, coceira, problemas de respiração e náuseas. Estas são sensações bastante comuns. A impressão é de que o coração vá parar a qualquer instante, uma vez que os principais sintomas sentidos são, de fato, semelhantes ao de um infarto.

Na dúvida, recomenda-se que se chame o resgate imediatamente. No Brasil, deve-se ligar para 192 (Samu) ou 193 (Bombeiros), para que a pessoa seja conduzida a um pronto-socorro para a realização de exames que possam descartar a hipótese de ser um problema cardíaco.

Porém, é muito comum que depois de feitos o ECG convencional e com esforço, o uso do monitor HOLTER e o Ecocardiograma, não se detecte nenhuma patologia. Apesar de alguns sintomas serem parecidos com os do infarto, a crise de pânico não provoca danos físicos ao corpo, mas afeta a saúde mental e psicológica da pessoa, que deve procurar um tratamento neste sentido.

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Como a Psicoterapia pode ajudar na Síndrome do Pânico?

A Síndrome do Pânico pode ser altamente incapacitante. É muito comum que pessoas com a Síndrome do Pânico evitem até mesmo sair de casa – mesmo que seja para ir a lugares próximos, à casa de amigos ou familiares. É o que se chama de Agorafobia e tem impacto sobre a saúde emocional, sobre as relações e sobre o trabalho.

Além disso, segundo a American Psychological Association, pessoas a Síndrome de Pânico aumenta a propensão ao suicídio, ao abuso de álcool e drogas. Acontece grande perda da qualidade de vida, com perda da autonomia, aumento da dependência de terceiros e redução da saúde física, mental e emocional.

Por isso, é fundamental tratar a Síndrome do Pânico. A psicoterapia é uma grande aliada, geralmente acompanhada por uma supervisão psiquiátrica que, em alguns casos, pode recomendar também o uso de medicamentos.

As sessões de psicoterapia devem ser cuidadosamente estruturadas para que a pessoa comece a entender suas emoções, percebendo que aquilo que acreditava ser muito perigoso e o medo que sentia, não oferecem riscos reais.

Recomenda-se psicoterapia para ajudar o indivíduo a:

– Identificar os eventos traumáticos que possam ter dado origem aos seus medos.

– Criar mecanismos mentais que bloqueiem os medos involuntários.

– Auxiliar na libertação emocional de memórias traumáticas.

– Desenvolver estratégias para a gestão da ansiedade cotidiana.

– Retomar o controle da sua própria vida.

Com a terapia a pessoa conseguirá acolher e compreender suas emoções, comportamentos e pensamentos, descobrindo o que provoca suas crises de pânico. Aos poucos, a pessoa torna-se capaz de reencontrar seu equilíbrio emocional e começar a livrar-se de suas ansiedades e medos inconscientes.

Buscar ajuda, para quem enfrenta esta dificuldade, para quem enfrenta a Síndrome do Pânico, significa vencer o medo e voltar a viver em paz.

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