Solidão: a dores de quem é invisível, mesmo estando acompanhado

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Em um mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, com boa parte dos amigos está a um “clique” de distância, a Solidão é uma das respostas mais comuns quando se pergunta “Qual é o seu maior medo?”. Do ponto de vista da saúde, a solidão tem consequências sérias, tanto no aspecto psicológico, como físico.

A sensação de solidão pode, por exemplo, desregular alguns hormônios, como a serotonina, a adrenalina e o cortisol (o hormônio do estresse), que suprimem o sistema imunológico, fazendo-o funcionar com menos eficiência e aumento o risco do desenvolvimento de vários tipos de doenças.

Psicologicamente, a solidão é uma das possíveis causas da depressão e, preocupantemente, o contrário também é verdadeiro: a depressão também é uma das possíveis causas da solidão, já que ela pode levar a pessoa a um estado de isolamento, à sensação de desesperança e à ideia de que a vida não vale a pena. Uma pessoa solitária quase nunca compartilha seus sentimentos. Por isso, diante de situações negativas, absorve sozinha o peso dos problemas, o que reforça ainda mais a sensação de solidão. Isto faz com que o cérebro entenda que o corpo está sob estresse e provoque nele reações imediatas, como o aumento da pressão arterial e dos níveis de colesterol, por exemplo.

Solidão não é o mesmo que estar “concentrado em si próprio”

Um pouco de isolamento pode até ser saudável. Podem ser momentos de desenvolvimento pessoal, reflexão e crescimento. Porém este isolamento só é proveitoso quando é de livre escolhida, bem administrado e temporário. Ele deve ser apenas um “desligamento temporário” dos outros e do que o cerca.

Mas, quando se torna uma condição permanente, por uma falta de opção, uma fuga, uma negação à criação de vínculos, uma falta de saber como se sociabilizar, entre outros, ela deve ser analisada com calma e com a ajuda de um psicólogo. A sensação de vazio ou de isolamento podem ser bastante desagradáveis, além de prejudiciais à saúde emocional e, em casos mais extremos, até incapacitante.

O importante é que sejamos capazes de respeitar nossas individualidades e construir nossa felicidade, dosando da melhor forma a convivência conosco e com os outros.

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Solidão gera estresse?

Existem diversas pesquisas e estudos que mostram a ligação da solidão com estados de estresse:

1. No Canadá, na Universidade de Toronto, dois psicólogos, Chen-Bo Zhong e Geoffrey Leonardelli, constataram que indivíduos que se sentem isolados tendem a ter a impressão, ao descrever um ambiente físico, de estar num local mais frio do que de fato está. O que elas realmente sentem é falta de calor humano, que transferem para a sensação física.

2. A equipe da Northwestern University, em Illinois, nos Estados Unidos, apresentou um estudo que observou que adultos que se deitam para dormir sentindo tristeza e solidão dormem mal, acordando diversas vezes, e que, logo quando acordam, apresentam aumento dos níveis de cortisol, que é o hormônio ligado ao estresse.

3. O pesquisador John Cacioppo e sua equipe, da Universidade de Chicago, realizaram um estudo observando que a solidão perturba o sono e aumenta a depressão. Eles afirmam, inclusive, que a solidão aumenta em 14% as chances de morte prematura entre adultos maduros, mais até do que a obesidade e o tabagismo.

A solidão acompanha o solitário crônico ininterruptamente

A solidão é um sentimento universal, que afeta a todos em algum momento da vida. Suas causas são tão variadas quanto sua intensidade e duração. Está intimamente ligada a um sentimento de falta, de vazio, de desconexão, que muitas vezes parece muito maior do que o suportável. A solidão nem sempre é um estado transitório. Quando se torna crônica, sem que seja uma opção da própria pessoa, a depressão acompanha o solitário ininterruptamente, ferindo-o emocionalmente e fazendo com que até seu sono seja prejudicado.

O ser humano sente necessidade, em medidas diferentes, de estar conectado aos outros, de ter vínculos afetivos. Portanto, a sensação de isolamento social pode causar danos físicos e emocionais sérios. É claro que estar sozinho pode ser uma experiência positiva e até prazerosa, mas há um limite entre independência e isolamento. Quando a sensação da solidão machuca e vem da percepção de que ninguém realmente se importa, de que não há sintonia nem conexão nas relações, ela pode ser extremamente desagradável e agonizante, e a pessoa tende a ficar reclusa, como se assim se protegesse da exposição a ela e, consequentemente, de sentir ainda mais essa dor.

A solidão não acontece necessariamente pela ausência de outras pessoas. Ela pode ser sentida mesmo em lugares repletos de gente. É uma sensação muito desagradável, que pode gerar angústia, ansiedade, inquietação e depressão.

Solidão a dois: quando se está só, mesmo acompanhado

A solidão é um sentimento e não uma questão de quantidade de pessoas à sua volta, por isso ocorre com tanta frequência em pessoas que não estão fisicamente sós. Não basta estar na companhia de alguém para não sentir solidão.

Segundo o psicólogo americano Guy Winch, mais de 60% das pessoas que se dizem solitárias são casadas. Quando algum dos cônjuges não compartilha seus sentimentos com o outro, isto gera uma sensação de desconexão emocional, de falta de importância, de despertencimento, aumentado a sensação de solidão. A solidão a dois é, muitas vezes, mais dolorosa que a solidão desacompanhada, porque nasceu de um sonho e de uma promessa de “eternidade”, que podem ter dado lugar a mágoas, decepções e uma imensa sensação de rejeição.

A solidão nas relações amorosas surge vagarosamente, por diversos fatores, entre eles o acúmulo de feridas emocionais, fruto da falta de cuidado, da ausência de companhia e de investimento na relação, da sensação de que será possível resolver no futuro os problemas que existem no presente, dos pensamentos e ações egoístas e individuais e da falta de tempo para o parceiro. A invisibilidade do outro faz com que cresça um abismo, que muitas vezes se torna instransponível.

Psicólogos alertam que viver uma relação em que a sensação de solidão é muito presente pode causar prejuízos não à relação, mas também a cada cônjuge individualmente. É importante que o casal perceba os primeiros sinais de conflitos e atue sobre eles. A ajuda de um profissional de psicologia, seja por meio de terapias individuais ou terapia de casal, pode ser muito benéfica para propor reflexões sobre as motivações de cada cônjuge, sobre seus papéis e sobre a decisão de permanecer ou não na relação.

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Existe relação entre Solidão e o Suicídio?

A solidão é uma das queixas mais recorrentes das pessoas que tentam suicídio ou relatam ideações suicidas. A solidão, nestes casos mais extremos, pode formar uma perigosíssima tríade com a depressão e o abuso de drogas, ambas causas intimamente ligadas ao suicídio.

Estudo divulgado recentemente pela Brigham Young University, em Utah, Estados Unidos, aponta que a solidão pode estar relacionada com no mínimo 50% dos suicídios cometidos anualmente.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a cada 40 segundos um suicídio ocorre no mundo. É a segunda maior causa de morte entre os 15 a 29 anos. No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa tira a própria vida.

Este são apenas os números das mortes propriamente ditas. No entanto, para cada suicídio consumado, ocorrem de 12 a 25 tentativas malsucedidas. Ou seja, o número de pessoas que atenta contra a própria vida pode ser até 25 vezes maior do que o número de suicídios realmente ocorridos.

O suicídio é a 7ª maior causa de morte entre a população masculina. Os homens cometem 7 vezes mais suicídios do que as mulheres.

Solidão na infância

A solidão na infância não ocorre somente pelo abandono propriamente dito. Ela também pode ser muito danosa quando ocorre por negligência, falta de cuidado, atenção, carinho e convívio.

Crianças que residem em lugares ermos, distantes, podem sofrer de isolamento, que é uma espécie de solidão, pois, mesmo frequentando a escola, estão sempre sozinhas, sem contato suficiente com outras crianças da mesma idade, com quem possam compartilhar a infância.

A separação dos pais pode causar nas crianças pequenas a sensação de solidão e abandono, que pode muitas vezes é somente uma percepção equivocada mas, noutras, pode ser um fato real, quando um dos pais decide se afastar por completo do filho ou em quadros de alienação parental.

É importante estar atento às necessidades e comportamentos da criança, identificando sinais de depressão, tristeza, ansiedade ou outros transtornos que possam requerer a atenção de um profissional, para a realização de sessões de psicoterapia infantil.

Solidão na adolescência

Nesta fase os jovens costumam sentir tensões e frustrações, mas nem sempre sabem exatamente como lidar com esses sentimentos, optando muitas vezes pelo isolamento social – por acreditarem que esta postura poderá protegê-los de novas frustrações. Porém, o que acontece é que acabam sentindo-se ainda pior, mais solitários e mais frágeis.

O isolamento pode ocorrer também por estarem numa fase em que seu comportamento às vezes é agressivo ou mau humorado, ou por serem tímidos. O fato é que a falta de amizades durante este período gera também uma terrível sensação de solidão.

Outra possibilidade é o jovem estar sendo intimidado, provocado, sofrendo bullying ou preconceito, e a única saída que enxerga é a solidão. O bullying pode ter efeitos importantes na saúde emocional, não só no presente, mas no longo prazo.

O estresse e o sentimento de inadequação provocados pelo isolamento podem também levar a outros desvios emocionais importantes. Não é incomum, por exemplo, atos de autolesão (também chamados de cutting), especialmente entre meninas na pré-adolescência. Esses casos normalmente estão ligados a dores emocionais significativas (mesmo que não claramente identificadas), das quais a solidão pode ser um componente importante.

Assim como nas crianças, é importante estar atento às questões emocionais dos jovens, diferenciando o que é “apenas fase” e o que é, de fato, dor emocional, que requer tratamento e apoio.

Solidão na vida adulta

A solidão na vida adulta pode surgir, por exemplo, no decorrer de um relacionamento, pela falta de correspondência ou por dificuldade na comunicação.

A vida agitada, numa cidade grande, a sensação de “estou sozinho no meio da multidão” também é muito comum. As pessoas não se olham, não interagem, e a sensação de deslocamento por falta de identificação com os valores é bastante comum.

A perda de vínculos familiares, seja por morte ou por ausência, causam uma profunda sensação de desamparo e solidão. É o caso da “Síndrome do Ninho Vazio“, que normalmente afeta mulheres de meia idade, que dedicaram a vida aos filhos, mas se veem completamente solitárias depois que estes saem de casa.

As perdas ou rupturas de relações importantes na vida de alguém podem também gerar um estado de depressão, potencializado sensação de solidão. As diferentes fases do luto, por exemplo, são marcadas por sentimentos muito variados, aos quais cada pessoa responde de uma forma distinta e que podem, entre outros, levar a pessoa ao autoisolamento.

Solidão na terceira idade

Nesta fase, a pessoa normalmente já está aposentada e, com o avançar da idade, pode perder muitos amigos e familiares próximos. Os filhos, com sua vida, família e rotinas, podem ter pouco tempo disponível, e a solidão passa a ser um fantasma a ser enfrentado pelos mais velhos.

Infelizmente existe muito abandono de idosos, sobretudo na ocasião do aparecimento de doenças degenerativas como o Alzheimer, Parkinson entre outras, quando a família os leva para viver em abrigos ou casas de repouso. O idoso pode sentir grande solidão, pois em muitos casos as visitas são escassas – ou até inexistentes – e a mudança os tira de sua rotina e de sua zona de conforto. Eles podem se sentir injustiçados, ter sentimentos profundos de inadequação, que representam um peso à família ou de que são simplesmente “descartáveis”. É um quadro extremamente triste, especialmente para quem pode ter passado grande parte da vida dedicado à família.

As situações de luto também podem vir acompanhadas de um forte sentimento de solidão. Deve-se ter atenção especial a eles neste momento, que pode ser amenizado com carinho e companhia.

Como combater a solidão?

Existem pequenas ações que podem diminuir a sensação de solidão. Entrar para um grupo de atividades, por exemplo, pode ser uma ótima opção, seja ele relacionado a algum esporte, a atividades artísticas, terapias ocupacionais, centros de voluntariado, etc. É mais fácil se integrar a conjunto de pessoas que partilham interesses comuns.

Outra sugestão é investir nas relações sociais, promovendo pequenos encontros, fazer e receber visitas, telefonar para os amigos, etc. Pode-se também buscar a companhia de um animal de estimação, sempre tão afetivos.

Ainda que a sensação de solidão possa ser decorrente daquilo que as outras pessoas não lhe oferecem ou deixaram de oferecer, muitas vezes ela pode ser fruto do próprio autoisolamento. Neste sentido, é preciso assumir a parcela de responsabilidade para buscar restabelecer estas relações ou criar novas.

Há, porém, em alguns casos a solidão é tão incômoda que pode se transformar em depressão. Quem tem essa sensação de permanente infelicidade e isolamento deve procurar a ajuda de um psicólogo para que, o mais brevemente possível, reencontre seu bem-estar e possa sentir amparado, rodeado de pessoas que lhe queiram bem.

Segundo o médico e pensador americano Maxwell Maltz, “A felicidade é um bem que se multiplica ao ser dividido”. Ter pessoas com quem dividir a própria vida é, de certo modo, predispor-se a ser mais feliz. Aceitar que pode ser necessário ajuda para abrir essas portas pode ser um primeiro e importante passo para enfrentar a solidão e melhorar a própria vida.

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